domingo, 20 de setembro de 2009

LEMBRANÇAS DE UM TEMPO BOM

Hoje à noite lembrei de alguns momentos de minha infância. Especialmente das vezes que minha mãe arrancara meus dentes “de leite” com um pano- e é claro, colocava debaixo do travesseiro com o argumento de que a fadinha viria e deixaria algum dinheiro em troca do dente.

Infância é um período realmente muito marcante. Dependendo de como ela se dá, toda uma vida pode ser marcada para sempre. Desde minha graduação tenho acompanhado alguns casos de crianças e adolescentes alguns delas são órfãs de pais vivos, negligenciadas, escanteadas, humilhadas e abandonadas. E isso, é mais comum do que se imagina e não característico apenas da classe baixa.

Lembro de alguns momentos com minha mãe, que fazia “das tripas coração” para nos dar oportunidades que ela mesma não teve em sua infância, embora de forma alegre e singela.

Lembro-me bem: os dias de vacinação, das “carreiras” para pegar o circular SETUSA, o pão com mortadela na praia da Penha, da meninada que queria brincar lá em casa, dos sonhos em formato de coração, nuvem, flor... O arroz com sardinha e coca-cola quando chegávamos da praia, as idas à Bica (zoológico da cidade) e ao aeroporto só para ver as partidas e as chegadas dos aviões, o cheirinho do cuscuz, as conversas com os vizinhos, a pipoca Bokus, as negociações para que não pedíssemos nada quando saíamos, o risole de queijo e o caldo de cana no Centro da cidade, os passeios de trem, a pipoca doce, as idas às casas das minhas avós. As orientações e as verdades sobre papai Noel, coelhinho da páscoa. O seu retorno aos estudos e ao trabalho... nossa!! Quanta coisa!

Ainda houveram as conversas sérias sobre: pedir emprestado e devolver, sexualidade, casamento x separação, a importância dos estudos. Os castigos, as horas marcadas para chegar, os votos de confiança...

Recordo ainda de algumas frases características (bem popularmente falando):
* “Filho? A gente cria para o mundo” embora, isso não parecesse ser verdade em alguns momentos;
* “Se prejudique, mas não minta!”, para mim, talvez a maior expressão de justiça.
* “Coloque sua cabecinha no travesseiro e pense no assunto”- aff! Essa era uma das mais difíceis de ouvir.
* “Quem tem medo de cagar, não come!” para fortalecer uma filha medrosa e insegura...
* “Quem confia em Deus nem fica nú, nem passa fome” para demonstrar que, com fé superaria suas dificuldades.
* “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” quando não queria justificar seus próprios erros... (lembra véa? - kkk)

Nos dias de hoje fico pensando naqueles tempos. Tempos bons que certamente, guardarei para sempre em minha memória. Tempos que foram fundamentais para nos tornamos pessoas com valores fortes, e que dão importância a cada momento e conquista na vida, constantes e tementes a Deus.

Diante de tudo isso, posso dizer sem medo que, na simplicidade está o que é mais puro. Nela está aquilo que não precisa de outro argumento ou motivação para poder existir.

P.S: obrigada por tudo véa (mainha)

20.09.09 às 01:50h